Workshop: O Futuro da Qualidade no Brasil – Desafios!

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Workshop: O Futuro da Qualidade no Brasil – Desafios!

No dia 05 de setembro de 2017, em Porto Alegre, nas dependências do CEPUC, Centro de Eventos da PUCRS (Av. Ipiranga, 6681, Prédio 41, Porto Alegre/RS), o PGQP realizou o 18º Congresso Internacional da Gestão e o 22º Prêmio Qualidade RS – PGQP 2017. Os eventos trataram do tema: #INOVAGESTÃO: conectividade e boas experiências. Dentro das atividades do congresso foi realizado um workshop especial que tratou do tema O Futuro da Qualidade no Brasil – Desafios!

A importância deste Workshop está no fato de que o Brasil, após os direcionamentos para a Qualidade e Competitividade, quando do PBQP – Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no início da década de 90, evoluiu muito em suas realizações. Mas hoje, passados mais de vinte e cinco anos, é preciso refletir, rever e aprender com os erros e acertos, dada as mudanças permanentes e suas magnitudes no mundo atual.

A qualidade é um presente, já diziam os grandes gurus do tema, pois é gratuita e tem impacto significativo na vida das pessoas. Nosso objetivo, durante este encontro, foi debater quais mudanças seriam estas, indispensáveis à retomada do valor da Qualidade no nosso País, dando início a consolidação de ideias e sugestões àqueles dirigentes e políticos que poderão conduzir o nosso futuro, em especial os candidatos à Presidência da República em 2018.

Assim, neste dia 5 de setembro estiveram presentes pessoas de elevada senioridade no tema qualidade e que buscaram contribuir com sugestões para que a qualidade atinja nível de pais desenvolvido, compatível com o tamanho e representatividade do Brasil, num horizonte até 2030.

Metodologia

Os trabalhos foram coordenados por Eduardo Guaragna – Membro da Academia Brasileira da Qualidade – ABQ e do Conselho Diretor do PGQP.

A metodologia foi construída segundo três etapas:

Etapa 1: contou com a participação dos apresentadores, a seguir, que colocaram as sua visão para o desafio proposto.

Daniel Randon – Presidente do Conselho Diretor da Qualidade RS – PGQP

Cláudio Gastal – Presidente Executivo do Movimento Brasil Competitivo – MBC

Claudius D’Artagnan – Vice Presidente da Academia Brasileira da Qualidade – ABQ

Marcos Bardagi – Gestor da Área de Portfólio, Operações e Conhecimento da Fundação Nacional da Qualidade – FNQ.

Da mesma forma Jorge Gerdau Johannpeter, Membro da Academia Brasileira da Qualidade, Presidente emérito do PGQP e do MBC, enfatizou a importância deste tema no momento atual no país e em seu futuro.

Os palestrantes enfatizaram vários aspectos como relevantes, destacando-se:

– A qualidade hoje requer agilidade na sua resposta às necessidades das empresas que são distintas a cada uma, exigindo também maior flexibilidade na sua aplicação.

– A qualidade tem que buscar a excelência naquilo que é relevante, focando isso e agindo nesse sentido. O que não for relevante não merece esta atenção

– A era digital veio para ficar e terá impacto na qualidade e fortemente na competitividade.

– Alerta deve ser dado às mudanças hoje tão necessárias, mas que têm desprezado as bases sob as quais a qualidade foi erguida. Veem-se verdadeiras perdas nesse sentido nas organizações que buscam o novo sem ter consolidado o existente, a qualidade de hoje.

– A qualidade está ameaçada de ficar para traz se não se ajustar aos novos tempos. Hoje há uma geração que não tem afinidade com os conceitos e tem outro tipo de atitude mais voltada ao imediatismo, a comunicação digital, empreendedorismo e risco. A sobrevivência da qualidade requer a sua adaptabilidade.

– As ações na administração pública têm que ser mais duradouras e permanentes. Perde-se muito com as mudanças de governo. É preciso atuar na estrutura do poder público.

– A educação, não apenas na qualidade, mas como formação das pessoas precisa ser trabalhada de fato para que haja sucesso na mudança. A educação leva a inovação e a competitividade.

– Há pouco aprendizado nas organizações onde os problemas se repetem ano após ano.

Etapa 2: após a apresentação dos palestrantes sobre a sua visão da qualidade e mudanças necessárias, foram formados grupos de pessoas que abordaram para temas específicos sugestões de melhoria/mudança, num horizonte até 2030.

Temas trabalhados:

Qualidade, Produtividade, Governança, Competitividade, Educação e Inovação.


Etapa 3
: apresentação dos resultados e debates:

  • INOVAÇÃO – Recomendações

             A transformação digital vai conduzir mudanças voltadas à inovação. Hoje há dois tipos de pessoas com relação às afinidades digitais. Os imigrantes que aprenderam ou que buscam aprender as facilidades digitais e os nativos, que já nascem dentro desse contexto. A partir de 2025 deve haver predominância dos nativos digitais, favorecendo a adaptabilidade.

Esta mudança irá impactar fortemente a cultura organizacional, favorecer/demandar ambientes criativos e inovadores, lidar mais facilmente com a ruptura, desafiar o desenvolvimento humano, elevar o nível de consciência sobre o consumo (pelas informações em tempo real), valorizar a sustentabilidade, o compartilhamento de ideias, conhecimentos, de tudo, fazendo uso de redes digitais.

 

  • QUALIDADE – Recomendações

 

  • Usar mais a tecnologia
  • Educar as pessoas para a Qualidade
  • Desenvolver e agregar novos líderes, agir para a continuidade.
  • Capacitar líderes para o processo educativo e de formação de pessoas na qualidade
  • Integrar as iniciativas do movimento no Brasil
  • Combater a departamentalização que leva a perdas no resultado final desejado.
  • Disponibilizar modernas ferramentas de Gestão
  • Fortalecer a comunicação da qualidade nos meios e mídias em geral, valorizando-a.
  • Inter-relacionar com instituições de ensino para desenvolvimento e formação das pessoas, em geral, nos conceitos e métodos da qualidade.

 

  • COMPETITIVIDADE – Recomendações

 

Necessário incentivar o estado empreendedor no seu papel estruturante, de políticas e de infraestrutura, assim como a sociedade ser empreendedora no seu comportamento e atuação, fortalecendo a interdependência saudável entre ambos.

 

  • PRODUTIVIDADE – Recomendações

 

  • Consolidar medidas adequadas à sua gestão e acompanhamento.
  • Elevar o comprometimento das pessoas, pois isso leva a produtividade.
  • Maior envolvimento das pessoas nos métodos e processos
  • Participação e realização das pessoas levam a fazer certo (qualidade) e a melhor no uso dos recursos (produtividade).
  • Lideranças devem ser mais engajadoras e educadoras.
  • Elevar a autonomia na execução com aplicação dos conhecimentos do executante.

 

  • GESTÃO – Recomendações

 

  • Assumir o fracasso dos modelos existentes para poder crescer
  • Diminuir a distância entre conceito x aplicação
  • Revisão de currículos de administração, economia, formação em geral.
  • Educação x gestores competentes, aproximar este laço.
  • Investimento em educação e em gestão na área publica (questões técnicas)
  • Maior engajamento da área pública e garantia de continuidade ao longo do tempo
  • Governança corporativa precisa ser priorizada e funcionar, de fato.

 

  • EDUCAÇÃO – Recomendações

 

  • Criar Banco de boas práticas em educação
  • Qualificar a cadeia de valor (educação, empresa e mercados).
  • Despertar vocações pela educação
  • Valorização do profissional da educação
  • Definir uma estratégia nacional para a educação, considerando os perfis regionais.
  • Auxiliar o governo a cumprir as metas do plano nacional de educação PNE (2014 a 2024)
  • Desenvolvimento da atividade proativa na educação.
  • Envolver a família/comunidade na educação conforme PNE
  • Aproximar no desafio da educação as instituições e os cidadãos.
  • Ter claro que a educação é o caminho de sucesso na mudança, pois leva ao conhecimento e a inovação, fatores-chave à competitividade.

 

Conclusão

 

Há muito que fazer e as sugestões são apenas o inicio.

O sucesso de uma mudança está na adequada combinação de 3 elementos.

 

1- É preciso haver insatisfação com o status quo: sem insatisfação não há motivador para mobilização das pessoas para mudança.

2- É preciso haver uma visão do futuro onde se deseja chegar e ela ser inspiradora.

3- É preciso haver ações concretas na direção da mudança e da visão, pois elas orientam o comportamento das pessoas e do coletivo, servindo de exemplo e incentivo.

 

Ainda não temos todos estes elementos claros, mas a sociedade tem condições de tê-los, pois o Brasil é mais do que hoje se apresenta. E tem futuro, depende de nós.

Texto produzido por: Eduardo Guaragna (ABQ) e Edgar Bertschinger (PGQP).

2017-09-12T15:45:29+00:00 12 / set / 2017|Artigos|